sexta-feira, 26 de setembro de 2008
(6)
estou escrevendo esta carta para comunicar que bloqueei (e excluí) você do meu msn (e, consequentemente, do meu orkut, hi5, e demais sites ou programas de relacionamento virtual). Achei por bem avisar, antes que você soubesse por outra pessoa, ou através daqueles programinhas modernos, que indicam quando você é bloqueado por alguém.
Quero que você entenda que não é nada pessoal, apesar de que sempre achei você um pouco metida a besta. Sabe como é, a garota que gosta de aparecer, a mais bacana, a mais bonita. Isso realmente é o que você acredita que é. Mas você é gente boa, de verdade. A não ser pelas diversas vezes que você fez aquelas suas piadinhas sem graça, em público, deixando toda a roda de friends constrangida.
Apesar desses detalhes, eu acho que o tempo em que andamos juntas nos fez bem, não é? Você é uma garota popular (claro, eu sou mais popular que você), e pessoas populares devem sempre andar umas com as outras, você sabe, pra aumentar a popularidade.
Só não consigo entender, até hoje, como você conseguiu se tornar tão conhecida. Você só namora caras idiotas e as suas roupas não são tão legais como eu disse que são. Essas suas saias rodadas, colares de semente, pulseiras grotescas. Esse estyle neo-hippie, tá super fóra. Nada contra, claro. Acho que cada um deve ter seu estilo próprio. Só que você exagera nos penduricalhos. Aliás, acho bom você saber que aquela saia (que cor era aquela? glacê?) que eu disse que é chique, da moda... bem, não é. Na verdade você fica terrível com ela. Deveria parar de usá-la, conselho de amiga.
E já que estamos falando de roupas. Sabe quando você me pediu a blusa lilás da Colcci emprestada? Eu disse que tudo bem, que não ligava de emprestar minhas roupas para as amigas e tal. Bem, querida, todo mundo liga. Eu liguei, e liguei mais ainda quando você devolveu a saia toda amassada. Muita falta de educação. Se eu fosse você, pararia de pedir as coisas emprestado. Ninguém gosta.
E sobre essa história de gostar... Eu não queria tocar no assunto, já que é problema seu. Mas aquele cara com quem você anda ficando... tem que ter estômago né, dear? Ele tem um corpão e tudo, e uma boca que, fechada, diz “vem, e me beija”, mas eu realmente não fui muito sincera quando disse que você deveria mesmo ficar com ele. O cara é um pé-no-saco, e piora quando ele começa a tocar (como é mesmo o nome daquela bandinha cansativa?) ermanos, catrumanos, los bambas, não lembro. Muito chato. E, como se não bastasse, ele fuma, tem cabelos grandes e curte rock! Eca. Bando de “sou-alternativo” que não tem nada a ver. Hello-ow! Eu entendo que a nossa amizade deve mudar um pouquinho depois que você ler isso. Mas espero estar sendo suficientemente sincera e clara, a ponto de você não ficar com raivinha de mim. Ok, darling?
A propósito, o corte do seu cabelo não combinou com o formato do seu rosto. E olha que nos últimos dias ele anda ficando redondinho hein, beibe? Você por acaso está grávida do “alternative-boy”?
Bom, em todo caso, espero que esteja. Porque hoje mesmo eu enviei uma messenger-up, do meu pager, claro, para todas as garotas da faculdade, contando a novidade. =)
Então, acho que é só. Qualquer coisa você pode me mandar uma messenger-up. Ou melhor, me liga, porque bloqueei você no meu pager também, ok?
Pink kisses, mui mui sinceros.
=)
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
vida, louca vida (?!) - terceiros
Acho bom, aqui, fazer um “pequeno” parágrafo para explicar um pouco sobre como eu sou. Assim, vocês poderão entender muita coisa que aconteceu e acontece na minha vida. Nada que não seja comum na vida de qualquer pessoa, em plena tenra idade, principalmente. Mas que, como boa pisciana, fantasio e recrio da forma como quero. O que deixa a minha vida fabulosa, colorida e improvável. Pelo menos pra mim. Como eu disse, sou pisciana, sonhadora, descolada, apaixonada. Adoro sexo, mas não me satisfaço com o casual. Gosto do deitar ao lado, do sussurrar ao ouvido, do carinho nas costas, da massagem nos pés. Gosto dos mimos. Não sou muito de regras e horários, e prefiro me arrepender de coisas que fiz, a me arrepender de nunca tê-las feito. Não ligo para o que dizem, e não sou influenciável. Sou impulsiva, muito. Mas estou sempre em dúvida. Contraditório, mas é. O mundo dos relacionamentos me é completamente estranho. Nunca sei se gosto, se quero, se dá. Um problema. “Ontem tinha dúvidas. Hoje... não sei”. Esta sou eu. E, no geral, as pessoas até gostam de mim, apesar das complicações. Eu não tenho um futuro definido, nem pretendo tê-lo. Trabalho, faço faculdade, leio, me divirto. E das diversas coisas, entre certas e erradas que eu me meto a fazer, acredito que muitas são responsáveis pelo meu crescimento, amadurecimento, pela construção do que eu devo ou não devo ser. É por isso que não tenho medo de fazer, de falar, não estou nem aí. Porque sei dos meus limites, e sei que tudo o que a gente faz é uma parte de nós mesmos. Tá, poético. Mas continuemos.
Hoje, eu amo. Diversas pessoas. Entre elas, homens. Os homens são como presente de grego. Você acredita ser uma coisa divina, um presente dos céus, mas se dá mal. E sei que eles pensam a mesma coisa sobre as mulheres. É só por isso que eu os procuro, e me deixo ser procurada. Infortúnio. Até aí tudo muito normal. Meus problemas começaram quando comecei a viver de platonismos. E que saco é. Me apaixono por homens que mal conheço, ou que conheço mas estão além do que eu posso ter. Não que eu não possa ter qualquer homem que quiser (quer saber? Qualquer mulher pode. Descobri isso noite passada), mas há tipos que eu simplesmente descarto. E ando me apaixonando por esses também. Até aí eu sou feliz. A cada semana estou com um novo namorado, melhor de cama que o anterior, diga-se de passagem. Novos filhos, novas férias, nova vida. Tudo aqui, dentro da minha cabeça. E quando eu digo que sonho acordada todo o tempo, não considerem exagero. Eu sonho. Mas essa freqüência é de agora, cinco ou seis meses, por isso ainda curto tudo, e acho engraçado. Porque acho que ainda tenho cura.
É claro que tem uns caras especiais. Uns que ficam, deixam marcas. Mesmo que você nunca tenha chegado perto de beijá-los. Sexo? Nem pensar. Jamais. Estes nos fazem tremer mãos, pés, coração. Verdade. Aposto que vocês sabem bem o que é isso. Ah, o amor! Com uma pequena diferença: comigo, é paixão. E paixão cem por cento platônica. Sei disso porque, há poucas semanas, uma de minhas paixões platônicas perdeu o platonismo. A vítima também se apaixonou por mim, e juro que achei que pudesse dar certo. Só que não deu. Tivemos um relacionamento intenso, embora curto, bem rápido. E tudo o que dilacerava em mim, aquela coisa da emoção, do desejo... tudo isso acabou na primeira transa. E pá. Eu sei, já me chamaram de insensível, exigente, do escambau. Mas foi o que aconteceu, e não foi o primeiro. Teve um cara da internet, teve o outro dos telefonemas, etc etc etc. Mas não é que eu não quero, juro. “Eu procuro um amor, que ainda não encontrei, diferente de todos que amei”, e dá-lhe Frejat. Juro que sou assim. E a culpa não é minha se no fim, nada dá certo. “Você anda muito exigente. Inventa defeitos e aumenta os que já existem. Assim, nem Jesus Cristo é homem pra você”. E pá, jogam na minha cara. E não seria mesmo, já que não podia transar. O ponto positivo é: nunca me faltaria vinho, e aquele cabelo é bem charmoso. E assim vai. Hoje amo um, amanhã outro, e tudo muito de longe. Chegar perto gera desastre. Tava até aqui pensando com quem eu estava saindo no dia 11 de setembro, e tal. Acho que nem Murphy perde tempo mais comigo, “com essa daí nem tem pra onde dar mais errado”. Mas é.
“Cuidado! Área de risco!”, é o que deveria ser tatuado na testa de todos os homens do mundo, ou na genitália, tanto faz. Já que, acredito, muitos deles pensam com o que tem lá, o que desmistifica a cabeça e bla bla bla. O pior é que a gente sabe, mas vai e... vai. Quando vê já foi. “Se for, já era”, segundo Chorão. Fóda é que tudo só é legal e engraçado muito tempo depois. Na hora, dói. Desastroso. E, quer saber? Os platônicos doem tanto quanto, ou mais. Juro. A parte boa é que você nunca vai ligar, alterada, implorando “volta que eu te amo” (é, já fiz isso também), porque você sabe que ele nem sonham que você existe. Ou vocês são amigos, mas ele não imagina o quanto você é apaixonada por ele, etc etc etc. E é isso.
Bom, como o meu primeiro post já ultrapassa os limites de um texto que qualquer preguiçoso daria conta de ler, paro por aqui. Me apresentei, e pretendo contar “como vai você, eu preciso saber da sua vida”. Sem maiores pretensões (editoras podem entrar em contato pelo e-mail), a não ser abstrair minhas próprias lembranças e experiências através das palavras.
Até a próxima.
“A beleza é aquele arrepio no braço. Você vê, e tudo parece estar à flor da pele.”
terça-feira, 1 de julho de 2008
ticidade
domingo, 1 de junho de 2008
Dia dos namorados (leia se for solteiro)
Para quem tem namorado(a), tudo está uma beleza. A minha única dica é: procure ficar calma(o) durante as semanas anteriores ao dia dos namorados. Sem ataques de ciúmes, sem brigas, sem gritaria... Você, com certeza, não está afim de ficar solteira(o) nessa época do ano! Então seja gentil, e reze por paciência diariamente.
Para os solteiros, mais uma invenção que tira a calma e a última mísera alegria de se achar ‘livre’. E a defesa é complicada. Não há como se esconder, não! É aquela velha história de que “tudo ao redor me lembra você”. Aí, se você não namora há algum tempo e chega à véspera do grande dia sem conseguir alguém a quem presentear, começa a se sentir feia(o), sozinha(o), angustiada(o)... E vem a pior parte afinal: você se abandona na sua cama, numa tarde nublada de domingo, o Rodrigo Amarante gritando “meu amor não sou tão só assim” no seu ouvido, a nutella pela metade, o celular [com volume máximo] não toca, o último cigarro em cima da escrivaninha... Fudeu! Você se jogou durante três semanas consecutivas naquele cara interessante do orkut, na gatinha de pouca massa cinzenta do msn, na garota magrela sete anos mais nova que te passou o número do telefone [sem você pedir] na semana passada, apelou pro ex-ex-namorado que você não via há quase cinco anos [e, adivinha! Ele tem namorada...], fique calma(o) companheira(o)! Nem tudo está perdido! Esse texto foi produzido por você! E para você! Isso mesmo... Nessa época do ano todo mundo escreve o amor, descreve o amor, enobrece os relacionamentos, o namoro, a vida a dois. Mas lembre-se! Existem milhares de pessoas solteiras no mundo. E, se você é uma delas... Admita! E seja feliz [mesmo assim...]. Inclusive no dia dos namorados.

Todos os solteiros reclamam das mesmas coisas, sofrem as mesmas dores, sentem-se sós domingo à tarde, sentem falta de 'conchinha' quando chega a noite... Até aquele seu melhor amigo galinha, que finge que nunca ama. Acredite, ele tranca o celular no quarto pra se segurar e não ligar pra garota no dia seguinte. Até ele, sofre as periódicas crises da vida de solteiro. E a pior delas acontece no mês de junho! Sim... é esse o fato. Agora vamos às proposições.
Primeiro: não se deite na sua cama no domingo à tarde pra escutar algum acústico MTV. Se está só, todos os seus amigos estão assistindo alguma comédia romântica [acompanhados], não desanime! Tome um banho, passe perfume, coloque a sua roupa de ‘balada’, [se for mulher] faça uma maquiagem fantástica [se for homem, e quiser fazer, liberte-se! Nada contra...], ligue o som no volume máximo [nada de coldplay ou jack johnson, dependendo do caso, aceita-se um “big girls don’t cry” pra esquentar a noite. Os seus amigos da ‘pelada’ nunca saberão disso. Não se reprima!] e dance! Dance até se acabar! Caso tenha ‘algum’ sobrando, compre umas garrafas de vinho. Seja você com você mesmo! E seja feliz!
Segundo: se acabou de dançar? Saia! Já meio tonto, pela bebida ou pela alegria, tanto faz. Passe naquele barzinho “meio-assim” onde você nunca teve a oportunidade de entrar porque a sua ‘galerinha’ não gosta do estilo. Sente-se numa mesa, vazia ou não. Beba, puxe papo, converse com quem nunca conversou antes [só não aceite carona de estranhos...]. Ria, gargalhe, passe vergonha, conte piadas! Levante-se da mesa já tarde... vá para casa... e termine a noite ao som de Alicia Keys [“The Life” proporciona altas rebolations], ou algo do tipo: calmo e dançante, quase um trilha perfeita de strip-tease. E lembre-se: a ordem dos gêneros não altera o produto.
E mesmo que você não faça tudo o que coloquei aqui, ou que se negue a fazer qualquer uma dessas besteiras, o importante é você estar bem! Só, ou não, esteja bem! Feliz, arrumada(o), saudável. Dance! Beba bastante água mineral...
E feliz dia dos namorados! Dos que os tem, dos que não tem, e dos que procuram!
Sem desespero cara... Sem desespero!
domingo, 30 de março de 2008
Latrinas, Duas!
Invenção para as mulheres, útil para os homens.
Como resolver um dos mais antigos problemas da humanidade?
Analisava os comentários feitos a uma crônica de um meu amigo, quando descobri qual seria o tema desse texto que você lê. A crônica era mais um manual descrevendo como se faz uma crônica, e neste, havia uma historinha que incluía comentários sobre uma nova invenção sanitária: os banheiros com duas privadas, lado a lado. Quando digo isso, deixando claro, me refiro a duas privadas sem quaisquer impedimentos entre elas. Não há paredes, cortinas, p.v.c. ou madeirite. São realmente (e fisicamente) dois vasos sanitários juntos em um mesmo local fechado construído para as dejeções sólidas e líquidas. Teoricamente, essa invenção foi pensada em prol das necessidades femininas. Afinal, quase nunca utilizamos o banheiro sozinhas, sempre em dupla e, em alguns casos isolados (como em uma rodada de chope com as amigas, um casamento, ou se uma de nós é vítima de uma excessiva ingestão de álcool que faz com que perca a aparência saudável, e as estribeiras) entramos em bando.
Depois de ler, re-ler, entender (e me assustar) com o fato sobre o qual os leitores da crônica haviam feito os cômicos comentários, decidi, enfim, redigir de forma clara uma conclusão que eu já havia considerado há alguns anos, mas nunca me senti impelida a popularizar. Um apelo feminino, uma necessidade estética e higiênica que nos é negada desde que somos meninas, e que nos persegue durante e após o árduo ofício da vida conjugal.
Digamos que, após anos acompanhando e analisando animais do sexo masculino da raça humana (e isso inclui convívio diário com muitos deles durante anos) pude notar que a invenção do "duplo-vaso-sanitário" seria mais (e, talvez, unicamente) útil nos banheiros masculinos. Melhor dizendo, em qualquer banheiro que um dia poderia ser utilizado por algum homem (invariavelmente: crianças, adolescentes, adultos, homossexuais e idosos).
sábado, 15 de março de 2008
Feche a torneira!
Seja um herói
Isso tudo não é exatamente novo. A não ser pelos conceitos inventados após o surgimento do capitalismo, como o salário e a mais valia, toda essa agrura desenvolvida pela sociedade já está aí desde os primórdios da civilização. Caim matou Abel, Luther King foi assassinado em 1968 e Betinho morreu com AIDS, adquirida em uma transfusão de sangue, em 1997. A diferença é que hoje nós temos instrumentos mais hábeis na arte de destruir. Muito mais que a pólvora e os agentes biológicos nocivos à saúde, hoje temos uma refinada ignorância. Pasme ao saber que, após milhares de anos de história, descobertas e invenções, o humano dos seres está à beira de um abismo por causa da propagação e eventual desenvolvimento de uma única palavra que, como se não bastasse carregar em si a ausência de conhecimento, ainda denuncia o despreparo e a falta de vontade para ir atrás desse saber que não existe. É pela ignorância que se chega ao preconceito, ao egoísmo e à morte de tudo aquilo que poucos seres humanos conseguiram, ou morreram tentando difundir: a humanidade.
Toda essa conversa já é muito clichê, eu sei. É complicado escutar, ou ler, coisas desse tipo, quando se tem certeza de que todas as mudanças propostas não passam de idéias utópicas, cheias de sentido, mas sem um pingo de realidade. Todo mundo já sabe que falar é fácil, mas sabe também que agir nem sempre é impossível. Caminhamos ainda (ou tentamos) atrás de mudanças, de novas formas de viver e recriar o nosso mundo, a nossa sociedade. Os nossos pés no chão não nos deixam acreditar na possibilidade de mudar a mentalidade de seis bilhões de pessoas, mas continuamos tentando.
É por esse, e outros inúmeros motivos, que o nosso mundinho pequeno deve ser o primeiro a participar da nova realidade sugerida: mais saúde mental, espiritual e física. O que demais há em deixar o motorista ao lado te ultrapassar, desligar o chuveiro na hora de passar o sabonete, pensar duas vezes na hora de votar, sorrir para o porteiro do prédio, participar de movimentos em favor de causas justas? Coisas bobas? Sim. Para quem acha que gastar 162 litros de água em um banho de dez minutos, levando em consideração que em algumas centenas de anos estaremos guerreando por água potável, é normal, e nem um pouco ignorante.
Mudar o funcionamento de uma sociedade que teve sua origem primeira baseada em um assassinato bíblico, que assistiu à morte de cerca de seis milhões de pessoas no holocausto de 1941, e que aceita essa caminhada livremente insana da corrupção lado a lado com a miséria, é praticamente um ato heróico. Saber que existiram, seguir e reverenciar Mahatma Gandhi, Che Guevara, Dorothy Stang, Frei Betto e cada uma das pessoas que não deixam com que os poucos seres verdadeiramente humanos não sejam esquecidos é o que nos instiga a ter um ponto de esperança e boa vontade, de ler, escutar, agir e acreditar que os heróis ainda existem, e que pode haver um bem aí com você.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Sobre relações

Ela saiu cabisbaixa. Não sei bem o que houve, mas sei que estava triste. Ou decepcionada. Algo assim, desse gênero. As mulheres são estranhas. Hoje em dia eu nem ligo muito. Mas dessa vez eu até pensei em perguntar o que havia acontecido. Criei coragem e tudo, mas cinco minutos depois eu já tinha mudado de idéia. Esperei ela sair. Peguei uma cerveja e deitei no sofá. “Devia ter perguntado como ela está.”
Vi a carteira em cima da mesa. Um papel dentro. Peguei o telefone. Disquei.
_ Fala.
_ Fala o quê?
_ Ué. Você não me ligou?
_ Liguei...
_ Então, fala!
_Calma, não precisa ficar nervosa.
_ Eu não tô nervosa, só com pressa.
_ Com pressa é? Por quê?
_ Porque tô no meio da rua. Tô atrasada. Preciso correr.
_ O que você tinha quando saiu?
_ Como assim?
_ Você. Tava diferente.
_ Eu não.
_ Ah... Então tá. Tchau.
_ Tchau.
Cinco minutos e o telefone toca.
_ Oi.
_Oi. Olha só... Você me ligou só pra dizer isso?
_ É. Fiquei preocupado.
_ Ah... Obrigada por se preocupar comigo.
_ Não. Tudo bem. Afinal, você dormiu aqui.
_ E onde você achou meu telefone?
_ Você esqueceu a carteira, e tinha um cartão seu dentro.
_ Esqueci?
_ É.
_ Droga! Um dia desses esqueço a cabeça.
_ É... Mas eu não mexi não, viu? O cartão tava no bolsinho de fora e... você sabe... é transparente.
_ Sei.
_ Então...
_ Quando eu posso ir pegar?
_ Pegar o quê?
_ A carteira.
_ Ah... Quando você quiser. Provavelmente eu não vou estar mais aqui... Mas você pega na recepção.
_ Tá.
_ Tenho que desligar.
_ Aham...
_ Ah! Peraí... Como é mesmo o seu nome?
_ Mônica...
_ Ah, é.
_ E o seu?
_ Marcelo.
_ É mesmo. Lembrei.
_ Então tá Juliana...
_ É Mônica!
_ Ah é... Desculpa. Tô meio sonso hoje. Tchau Mônica.
_ Tchau.
“Acho que ela seria a mulher ideal, se não fosse tão quase-perfeita. Corpo, olhos, beijo. Muito inteligente. Muito safada também. É... Seria ideal.” Mas os homens têm medo das mulheres ideais, ou das quase-perfeitas. Não daria certo. Ideal demais enjoa.
Deixo a carteira na recepção. Pago a conta. Vou embora.
CONCLUSÃO MASCULINA: “Boa de cama. Quem sabe um dia ela me liga.”
Saí cabisbaixa. Foi tudo muito bom. A noite, a cama, o vinho... E ele! Ah... Homem quase-perfeito! Lindo, inteligente, educado e bom de cama! Saí desinteressada, pra não achar que eu tava dando bola. Ele nem perguntou. Aí fiquei nervosa. Atravessei a rua e o telefone toca. Era ele. “Podia não atender pra largar de ser besta. Mas se ele tá ligando, é porque gostou de mim. Talvez queira marcar hoje à noite.” Atendo rude.
_ Fala.
_ Fala o quê?
_ Ué. Você não me ligou?
_ Liguei...
_ Então, fala!
_Calma, não precisa ficar nervosa.
_ Eu não tô nervosa, só com pressa.
_ Com pressa é? Por quê?
_ Porque tô no meio da rua. Tô atrasada. Preciso correr.
_ O que você tinha quando saiu?
_ Como assim?
_ Você. Tava diferente.
_ Eu não.
_ Ah... Então tá. Tchau.
_ Tchau.
“Como os homens podem ser assim? Insensíveis, hipócritas, arrogantes!” Deixei minha carteira em cima da mesa, com o telefone à vista. Era um motivo pra eu voltar lá ainda hoje, e uma dica “ME LIGUE”! Os homens são todos burros mesmo! Desde que nascem precisam de um empurrãozinho, dicas, ajuda feminina. “Se a mãe não ensina a segurar o pinto na hora de urinar morre urinando na borda do vaso. E se não é a mãe, sobra pra esposa, namorada, noiva... Ou pra prostituta do fim de semana. No fim, eles sempre precisam de uma forcinha”. Pego o telefone. Nada de ligação. Então... Eu ligo.
_ Oi.
_Oi. Olha só... Você me ligou só pra dizer isso?
_ É. Fiquei preocupado.
_ Ah... Obrigada por se preocupar comigo.
_ Não. Tudo bem. Afinal, você dormiu aqui.
_ E onde você achou meu telefone?
_ Você esqueceu a carteira, e tinha um cartão seu dentro.
_ Esqueci? _ É. _ Droga! Um dia desses esqueço a cabeça.
_ É... Mas eu não mexi não, viu? O cartão tava no bolsinho de fora e... você sabe... é transparente.
_ Sei.
_ Então...
_ Quando eu posso ir pegar?
_ Pegar o quê?
_ A carteira.
_ Ah... Quando você quiser. Provavelmente eu não vou estar mais aqui... Mas você pega na recepção.
_ Tá.
_ Tenho que desligar.
_ Aham...
_ Ah! Peraí... Como é mesmo o seu nome?
_ Mônica...
_ Ah, é.
_ E o seu?
_ Marcelo.
_ É mesmo. Lembrei.
_ Então tá Juliana...
_ É Mônica!
_ Ah é... Desculpa. Tô meio sonso hoje. Tchau Mônica.
_ Tchau.
"Inacreditável! Transou comigo a noite inteira e não lembrou meu nome. Melhor fingir que também não sei pra não fazer papel de besta.”
Devia ter morrido virgem! E solteira. Virar beata. Devia nem ter nascido. Odeio os homens. Odeio aquele cara idiota e estúpido! Nunca mais quero ver ele na minha frente!
CONCLUSÃO FEMININA: “ Eu to completamente apaixonada!”
domingo, 18 de novembro de 2007
Não foi como ela pensou que seria

Se soubesse disso ela não teria fumado tanto, bebido tanto, aproveitado a vida além dos riscos da morte.
Se não tivesse aproveitado a vida além dos riscos da morte não teria entrado para a história.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Ele saiu e eu comecei a escrever no diário

segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Escrevi um romance policial

Auto-viagens
Eu me lembro de ter me apaixonado pela primeira vez quando eu tinha onze anos. Foi uma coisa estranha porque, de repente, as barbies e cia. não tinham mais a mesma graça. Essa foi a parte ruim. Eu larguei as bonecas cedo demais, e hoje sinto falta delas. Talvez se tivesse brincado até os quinze... Mas enfim! Aos onze, minha primeira paixão. Lembro de ter chorado quando ele não me escolheu para seu par na quadrilha da escola. Lembro de ter sorrido no dia do terceiro ensaio, quando a grande escolhida faltou e tivemos que ensaiar juntos. Eu e ele. Acho que foi um daqueles momentos mágicos da vida. Daqueles que se procura aproveitar cada segundo, mas que, quanto mais você aproveita, mais rápido ele passa. E no final de vinte minutos de ensaio, a escolhida chegou! Meu primeiro momento mágico com um homem não durou mais que vinte minutos! Foi a partir daí que eu soube que os homens, em qualquer lugar, em qualquer época da vida e com qualquer idade... são passageiros!
Depois desse vieram outros. Todos platônicos e imbecis. É engraçado como os homens são imbecis quando se tem onze anos. Mais tarde, eu descobriria que, aos dezoito, dezenove, vinte anos... eles são mais imbecis ainda! A primeira paixão real, não foi paixão. Foi só um beijo. Eu tinha doze anos. Uma criança. Só agora eu entendo porque o beijo foi tão ruim. Nada pessoal! O garoto era uma gracinha, acho que devia ter uns dezesseis anos, ou menos. Não sei ao certo. Sei que ele achava que eu já tinha beijado. Mas não tinha! Fiquei assustada, tremi como vara verde, suei frio... gelado! E então, ele veio com a frase: “aqui ta bom pra você?”. Se “aqui ta bom pra” mim? Eu ali, pálida, amedrontada, esperando o bote final! Pensando, segundo após segundo, o que seria de mim se o meu pai soubesse o que eu fazia naquele momento. E ele me pergunta se “aqui ta bom pra” mim? “Ta!”. Foi a resposta. Assim, simples assim, eu assinei minha carta de suicídio. Pronto, havia entrado, enfim, no mundo dos relacionamentos!
Depois desse episódio constrangedor, só fui beijar novamente aos treze. Um ano depois! E isso só aconteceu porque eu sofri uma pressão imensurável das minhas “amigas”! Quem diz que as amigas não te induzem a fazer “coisas”... está enganado! Todas as nossas atitudes, nossas compras, os carinhas que nós beijamos, são analisados e escolhidos pelas amigas.
Pais, segurem suas filhas! Sejam seletivos com as companhias de suas crianças! As amigas manipulam a vida umas das outras. É fato.
Esse segundo beijo foi um pouco melhor. Mas ainda achei que faltava algo de cinematográfico. Acho que me sentar no colo dele não ajudou muito. Uma amiga da minha mãe ter visto a cena só piorou as coisas. Mas logo acabou, e eu, mais uma vez, agradeci por isso. Menos curto que da primeira vez, e mais longo do que deveria ter sido. Ora, eu me entendo! Estava traumatizada.
Daí por diante o número de beijos aumentou, e o espaço de tempo entre eles diminuiu. Mas todos homens! Todos passageiros. Passageiros e imbecis. As paixões foram se rebaixando ao posto de simples “ficar”. E era difícil “ficar” mais de três vezes com a mesmo pessoa. Primeiro, porque os meus pretendentes nunca tinham mais de dezesseis anos. E os homens nunca querem nada sério antes dos vinte (e olha que eu estou sendo muito boazinha nesses vinte!). Ou seja, as adolescentes só servem como diversão. Acreditem! Nada daquilo que ele falava com você quando vocês estavam sozinhos era verdade. Nunca é; e antes dos vinte é menos ainda! Segundo, bem, eu não estava mesmo preparada para um relacionamento de mais de uma semana. Mais tarde descobri que, até hoje, eu não estou. Ninguém está. Você nunca está preparada porque uma relação nunca é igual à outra! Os erros e os acertos são diferentes, as experiências são diferentes e, sem dúvida, o seu limite é completamente diferente. Quando você passa de um relacionamento para outro você procura explorar os seus limites. Cada vez mais. E não digo, apenas, limites físicos. Você tenta se entregar mais, confiar mais, agradar mais... enfim, você tenta errar menos!
O primeiro namorado foi com quatorze anos. Três meses. Nada muito sério, mas tudo muito incrível. O primeiro beijo é sempre especial (mesmo que não tenha sido muito bom), mas nada se compara ao primeiro namorado. Nada mesmo. Nem a “primeira vez” se compara! O primeiro namorado é algo perigoso, transcendental. Talvez eu esteja exagerando um pouco, mas não do meu ponto de vista! Eu nem pensava dessa forma há alguns anos. Mas, no mês passado, quando depois de quatro anos eu revi meu primeiro namorado, entendi que aquela foi uma fase inesquecível da minha vida. E que nada, muito menos as pessoas, continuam as mesmas! Por isso, cada minuto ao lado de alguém de quem se gosta, deve ser aproveitado de forma singular, porque você e essa pessoa nunca mais se reencontrarão! Não dessa mesma forma.
O segundo namorado veio aos dezesseis. Quatro meses. Era a época das descobertas. Descobri que trair não é uma coisa bacana. E descobri que eu tinha coragem suficiente para admitir meus erros e não cometê-los novamente. Descobri que eu sou capaz de fazer alguém sofrer, e que isso me faz sofrer também. Descobri que existem pessoas no mundo capazes de perdoar traições, que amam além das mentiras, e quem fariam de tudo para não me perder! É uma pena... Descobri tudo isso tarde demais!
Enfim, chegamos ao último relacionamento. O terceiro namorado! Claro que, entre os três relacionamentos mais longos da minha vida eu tive outros. Curtos, mas não menos importantes. Nunca fiquei por ficar, sem gostar, etc. Obviamente, uns mais, outros menos, iam sendo alvo de páginas e páginas de coisinhas românticas no meu diário. Cada um teve sua devida importância. O terceiro foi dos dezessete aos dezenove! Dois anos. Exatos dois anos. Foi a melhor e a pior fase da minha vida. É quando você acha que está, enfim, preparada para “aquela” relação de mais de uma semana! Quem sabe mais de seis meses. Mais de um ano. E você chega aos dois e dá com os burros n’água! Tristeza? Nenhuma. Aprendizado é a palavra! Aprendi que ser traída é tão ruim quanto trair. E aprendi que eu não sou capaz de perdoar traições, nem amar além das mentiras! Nem, muito menos, faria de tudo para não perder alguém... São detalhes que a gente aprende, com tempo. Eu aprendi muito desde o meu primeiro beijo, mas estou certa de que tenho muito ainda o que experimentar. Experiência! É chave... Hoje eu sei porquê eu só via que os meus relacionamentos tinham sido especiais depois que eles acabavam: eu não tinha experiência. Hoje, é fácil transformar um único beijo em um momento inesquecível. Mas veja bem! Isso não significa que eu aprendi a me relacionar. Ninguém nunca aprende. Sempre falta quebrar a cara mais uma vez.
É um suicídio... constante.